2º Trail do Zêzere – Ultra…desilusão

Não sei como começar…

Tudo se compunha para uma boa estreia num Ultra. Chegada no dia anterior, tudo preparado, levantei o dorsal sem grandes confusões, procurámos jantar, colocámos as coisas no “solo duro”, jantámos e por volta das 21h00 estava a preparar-me para descansar.

Acordámos por volta das 05h30, e estava tudo a correr como deveria… Por volta das 06h30, os 3 candidatos a ultras lá se foram encaminhando para a zona de partida.20141116_063808

Cerca das 07h10 foi dada a partida. Pela primeira vez comecei a fazer tudo certinho, não cedi à tentação de arrancar a 4’/km e comecei devagarinho como me têm ensinado e tenho lido. Começamos a descer, saindo de Ferreira do Zêzere, aparece a primeira subida em alcatrão e calçada e finalmente entramos em trilhos. Subimos para tentar ver o nascer do sol, mas o nevoeiro não deixa!

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Vamos os três relativamente juntos, quando, por volta do km 4, o Francisco me pergunta pelo Miguel. Olho para trás para ver se o vejo, piso uma pedra solta e torci o pé. Já está, pensei eu. O som que ouvimos internamente, as dores, tudo junto dá uma sensação de incerteza… Paro, puxo a meia mais para cima, aperto os ténis o mais que posso e experimento… Um passo, outro, talvez aguente. O Miguel vai ali à frente (entretanto tinha passado por mim), vou experimentar mais um bocado.

Aparecem umas subidas, o pé aguenta, vamos a isso. Com umas ligeiras dores, a subir e a rolar fazia-se, o problema eram as descidas. Mas depois da primeira descida que nos levou até ao Lago Azul, estava a conseguir aguentar-me, tendo optado por não parar neste abastecimento para que o pé não arrefecesse.

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Continuei, sempre a uns metros do Miguel, tentando poupar o mais possível o pé, para ver onde me levava, chegando à zona da cascata do Maxial. Aqui vejo o Miguel parado, e quando chego perto dele, diz-me que vai voltar, que não dá. Ainda aperto com ele, mas estava decidido. Ele e as escarpas não combinam!!!

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O problema da cascata é que depois de atravessarmos o curso da mesma, temos de a subir, junto a uma das paredes. Não é muito dificil, e talvez o nevoeiro tenha ajudado a reduzir a imponência da coisa por não permitir ver a altura do vale, tirando a parte final em que umas lajes escorregadias metem algum respeito.

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Depois do Maxial, seguiamos por uma encosta que metia algum respeito, subindo depois a uma capela onde havia o segundo abastecimento. Nesta subida havia um posto com bombeiros, que ao verem-me aproximar, me desaconselharam a continuação, que eu ia a coxear… “É do frio”, disse eu!!! Mal sabiam eles…

Subi até este posto, bebo água e sigo. O tempo que aqui estive parado agravou o pé. Inicio a descida, sempre com muito cuidado, e temos uma viragem à esquerda, que nos leva a uma nova subida. Muito agradável, passando por umas ruinas, muito bonito mesmo (aqui já não parava para tirar fotografias, para evitar ao máximo as paragens por causa do pé), e chegamos à Levada do Zêzere. Não fazia ideia de que isto existia, mas que mete respeito mete!!! Volto a dizer que o nevoeiro foi nosso amigo porque se tivesse tempo aberto, o desnível à esquerda meteria mais respeito (ainda por cima os bocados partidos a lembrarem o Caminito del Rey).

De seguida subir mais um pouco pelo meio de pinheiros e juntamo-nos aos atletas que vinham do mini-trail, causando congestionamento numa das maiores subidas e na descida seguinte, cheia de lama e quedas, onde voltei a magoar o mesmo pé!

Fui aguentando mas no abastecimento dos 20kms não consegui disfarçar mais. Ia cheio de dores e lá aconselharam-me a desistir. Provavelmente não iria aguentar e iria agravar as coisas. Ouvi os conselhos e acatei-os… Este era o estado do pé nesta altura (agora está com o triplo do tamanho!!!!)

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E foi assim que se tornou numa ultra desilusão… Porque mesmo magoado, corri 20kms com cerca 1000mts de acumulado, hoje não tenho nenhuma dor muscular, nada de cansaço acumulado, o que para mim é um bom indicador de que estava preparado para esta aventura. Nunca gostei de desistir (aliás acho foi a segunda vez que desisti numa prova), mas se calhar foi o melhor… Como alguém dizia, provas há muitas!

Computador de Bordo

  • Distância: 20.41 km
  • Tempo: 3h:26m:51s
  • Ritmo médio: 10:08 min/km
  • Calorias: 2104 kcal
  • Acumulado: 924 mts

#zeroimpossiveis

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